segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

RESUMINDO

O ano era 1971.
As calças eram boca-de-sino e mediam em torno de 40 cm.
Os jeans tinham emendas na altura das canelas, com tecido diferente do jeans mesmo.
Os cabelos beiravam os ombros, mesmo a contra-gosto do Padre Paulo.
E este, completava um ano no comando do colégio. Em 1970, ele assumiu e viu a primeira turma de meninas do colégio.
Entre elas, uma morena de cabelos lisos, rosto angelical, lábios carnudos e pernas finas, mas elegantes. Reginil. Pra quem viu, viu.
Padre Paulo chegou e nos aplicou uma boa: cara de brabo, pinta de severo, pulso firme, mas antes de tudo, um bom amigo. Ao menos é a imagem que temos hoje, em pleno 2009.
Mas voltando a 1971, os padres resolveram fazer 3 primeiros-científicos.
No A ficavam somente"os maus elementos", segundo disse Padre Paulo no primeiro dia de aula. E no B e no C, alunos e alunas, dando início a uma convivência inédita para nós, que vínhamos desde o primário somente entre nós, homens, mas de vez em quando, olhando para as meninas do Esperança.
Que esperança!!!!
No A, em 71, Jayme, eu, Pimpão e Baggio(que era repetente), fazíamos das nossas, mas não muitas, a não ser quando a coisa pegava mesmo, como nas aulas do Lalau, inesquecíveis.
E nas aulas do Professor Reichem(Inglês), pois quem não levava o livro, tinha que sair da sala.
E existia um livro na mesa dos professores, onde se anotava de tudo.
Exclusão de aula, Jayme foi campeão no ano de 71, seguido por mim e pelo Pimpão.
Motivos bobos, coisas banais, mas eram pretextos para sairmos da sala.
Mas sempre vinha a hora do recreio, onde podíamos fumar abertamente, desde que mantida a educação. Era o fim do cigarro "no saco" ou na meia, fumar no banheiro e tudo o mais, mas algumas meninas ainda fumavam no banheiro.
E naqueles idos de 1971 muitas coisas aconteceram em nossas vidas, que provocaram mudanças e observações.
Frater José(depois Padre), o Lorenzatto, reunia uma equipe de alunos para saber o que os outros alunos diziam, como se comportavam e o que comentavam. Era uma tentativa de formar delatores, acho, pois além disso, não vi pra que isto poderia servir. Mas, até onde sei, ninguém nunca disse nada, ao menos daqueles que eu soube que participavam.
Padre Paulo fiscalizava nossas vidas das sete da manhã às onze da noite.
Um belo dia, ele ligou para minha casa, falou com minha mãe e perguntou a ela o que eu fazia na rua às 11 da noite. E ela perguntou pra ele o que ele fazia na rua naquele horário.
Acampamentos, somente com a aprovação dele.
Eu estava mal de notas em 71, segundo semestre e fui escalado para ir a um acampamento. Chega na hora de embarcar, ele resolveu que eu não iria.
Chamamos todos os nossos pais(e eram muitos), ele argumentou e eu não fui.
Os outros foram, mas eu fiquei.
O homem era fera.
Ao mesmo tempo, fazíamos coisas banais logo abaixo do nariz dele e ele não percebia, ou fazia que não percebia.
Uma manhã, quando as salas do científico passaram para o pavilhão novo, em cima da cantina, Ermenegildo escondeu as chaves do bloco. Lá pelas sete e meia, todos os alunos na parte de fora e ninguém dentro das salas de aula.
O Padre Paulo bufava, espumava, até que alguém da administração apareceu com a cópia da chave do bloco novo e todos nós entramos em sala.
Mas valeu pela irritação causada.
Afinal ,era este nosso objetivo daqueles tempos.
E tem histórias, muitas.
Se todos colaborarem, poderemos montar aqui uma série.
Enviem seus emails e colaborem para que nossa memória permaneça viva.
Em cada ponto, um conto.
Abs a todos.

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